Não tenho. Vejo por aí pessoas amarguradas, sentidas, que sofrem amores que foram e que ainda estão por vir. Que sofrem a vida, a solidão, a mesmice, as decepções e os traumas. Sofrem o passado, o presente e o futuro. Choram, bebem, gritam, brigam. Morrem. Bom, as pessoas são as pessoas, deixa elas. Mas e eu? Não sou nem o centro do meu mundo. Penso nas pessoas antes de pensar em mim (pode parecer ironia pra algum leitor em especial, mas não é). Sou só mais um... Sou o adepto sem graça de uma filosofia que me traz felicidade, mas que arranca a mesma de mim em milésimos de segundo: a do sorriso gratuito. Distribuo sorrisos e visto máscaras que escondem meus problemas. Afinal, sorrir faz bem, e ninguém merece meu mau humor. A custo do tempo, conquisto pessoas pelo meu jeito, pela tranquilidade e por ser o bonzinho. Mas do bonzinho é difícil de lembrar, porque ele não fede e nem cheira. Ele só se fode.
E a veia artística, o que tem com isso? Arte não é felicidade, sorriso ou algo parecido. Arte é drama, é tristeza, solidão. É a lágrima no papel, o fim das esperanças, a raiva, transtorno. E se a arte não é sombria, é porque o artista não está em um momento sombrio.
Não tenho veia artística. Mas tenho um furacão de sentimentos e pensamentos. Tenho algo pra dizer. Infelizmente, o sorriso me limita. Que venham então as sombras.
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